ExposiçõesExhibitions . 2016 . Rodrigo Bivar . Nada pensa nadaRodrigo Bivar . Nothing thinks nothing

O título, tirado de um verso de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, em O Guardador de Rebanhos diz: “Que pensará isto daquilo? Nada pensa nada”. Para Bivar, se o escritor fala que ‘o sentido íntimo das coisas é elas não terem sentido íntimo nenhum’, isso nos faz pensar que não haveria razão alguma em escrever nada.

“Mas escrevendo ele devolve mistério ao mundo, torna o mundo um lugar um pouco mais confuso, e menos pragmático ou funcional, e eu gostaria que minhas pinturas tivessem essa qualidade”.

Suas pinturas abstratas que, a partir da série Lapa, assumiram um tom mais rigoroso, agora parecem radicalizar a simplicidade das formas de maneira não menos rigorosa.

Entre outras ações novas no procedimento de Bivar, o artista encarou o ato  laborioso de eliminar as manchas de suas pinturas, deixando em algumas delas apenas vestígios estruturais.

Outras vezes, formas retangulares evidenciam somente algumas linhas de cor escondidas pelo branco, remetendo ao espectro da pintura que se mescla também com a energia do ofício. Bivar encontra beleza na arte que se arrisca a falar sobre nada, ou tudo.

The title is taken from a verse by Alberto Caeiro (Fernando Pessoa’s pen name) in The Keeper of Flocks: “What will this think of that? Nothing thinks nothing”. For Bivar, if the writer says that ‘the intimate sense of things is that they have no intimate sense’, this makes us think that there would be no reason at all to write anything.

“But by writing he gives mystery back to the world, makes the world a place that’s a little more confusing and less pragmatic or functional, and I would like my paintings to have that quality”.

His abstract paintings, which took on a more rigorous tone starting with the Lapa series, now seem to radicalize the simplicity of the forms in a no less rigorous way.

Among other new developments in Bivar’s process, the artist has confronted the laborious act of removing the brush strokes from his paintings, leaving only structural vestiges on some of them.

Sometimes rectangular shapes reveal only a few lines of color concealed by white, suggesting a specter of the painting that also merges with the energy of his craft. Bivar finds beauty in art that dares to speak of nothing, or everything.