ExposiçõesExhibitions . 2015 . Matheus Rocha Pitta . AssaltoMatheus Rocha Pitta . Assault

“Aqueles que coincidem muito plenamente com a época, que em todos os aspectos a esta aderem perfeitamente, não são contemporâneos porque, exatamente por isso, não conseguem vê-la, não podem manter o olhar fixo sobre ela”. Giorgio Agamben

Na exposição Assalto, Matheus Rocha Pitta nos apresenta um grupo de dez lajes nas quais o artista “emparedou”  imagens de jornal nas quais figuram pessoas e multidões com as mãos erguidas ou estendidas. A estas cenas se combinam fragmentos extraídos de anúncios publicitários que duplicam e isolam cada um desses gestos individualmente.

Como de costume, começo a observar atentamente e as ambiguidades me assaltam: O gesto de mãos ao alto é feito por quem é surpreendido, pelo assaltado, mas diante das Lajes de Matheus tal certeza vacila. As imagens que ele escolhe não nos permite identificar precisamente a quem tais assaltos se endereçam. Se elas, as imagens, retratam os assaltados, onde está quem os protagoniza? Fora do enquadramento, o assaltante é posto, fantasmagoricamente, entre nós.

Assim, o que nos assalta, o que nos surpreende é nos reconhecermos numa tripla posição. A de testemunhas, a de suspeitos de termos cometido o assalto (pois, o assaltante, estando como um possível entre nós, torna-se um dos nossos) e, por último a de assaltados; assaltados por essas imagens de manifestações políticas, religiosas, festivas e pelas ambiguidades que o trabalho nos faz reconhecer. O Assalto de Matheus fala de uma oscilação de posições e dos discursos políticos, religiosos e publicitários. Discursos e posições das e nas quais somos, simultaneamente, incluídos e excluídos – seja qual for o grau de nossa capacidade (auto)crítica para perceber isto.

O Assalto é mais um grupo daqueles exercícios críticos que Matheus realiza cotidianamente para afirmar sua atenção  às imagens e aos gestos, às sua repetições sintomáticas e ao tributo que pagam à velha e eficiente iconografia cristã, hoje, tão autorreferente e útil quanto antes, em fazer circular as formas mais “avançadas” de capitalismo e afirmar seus domínios.

LAIS MYRRHA

“Those who perfectly coincide with their time, to which in all aspects they adhere perfectly, are not contemporaries because, exactly due to this, they can not see it, can not keep their gaze fixed on it.” Giorgio Agamben

In his Assalto (Assault) exhibition, Matheus Rocha Pitta presents us with a group of ten concrete slabs upon which the artist “emparedou ” (“put up against the wall,” as he would have it) imprints of newspaper images that include people and crowds with their hands raised or extended. To these scenes are added fragments extracted from advertisements that duplicate and isolate each of these gestures individually.

As usual, I begin by observing closely and the ambiguities assail me: the gesture of hands up is by someone who is surprised, by the person assaulted; but when viewing Matheus’ slabs, such certainty falters. The images he chooses do not allow us to accurately identify whom the assaults are aimed at. If they, the images, portray the person assaulted, where is the person who is the protagonist of the assault? Outside of the frame, the assailant is, ghostlike, placed amongst us.

So what assails us, what surprises us is to recognize a threefold position. That of the witnesses, that of being suspect of having committed the assault (since the assailant, possibly standing amongst us, becomes one of us), and, finally, that of the assaulted; assaulted by these images of political, religious, festive demonstrations and by the ambiguities that work makes us recognize. Matheus’ Assault speaks of an oscillation of positions and political, religious and advertising discourses. Speeches and positions of which and in which we are simultaneously both included and excluded – whatever the degree of our (self) critical ability to realize this..

Assault is one more group of those critical judgments that Matheus performs daily to assert his attention to images and gestures, to his symptomatic repetitions and to pay tribute to the old and efficient Christian iconography that, today, is as self-referential and useful as before in circulating the most “advanced” forms of capitalism and affirm their domains.

Lais Mhyrra