ExposiçõesExhibitions . 2012 . Manobras PoéticasPoetic Maneuvers

Manobras Poéticas é uma interlocução entre a natureza e o fundamento dos mecanismos de percepção. Terá como tema a ilusão aquática, seus reflexos, suas luminosidades, suas colorações, suas inquietudes rítmicas, suas ambiguidades veladas, úmidas e não configuradas, que atuam na fronteira entre a pintura, a fotografia e a escultura. A água, matéria instável que a natureza oferece, entra como eixo condutor da composição e é apropriada pelo olhar do artista como um ingrediente ativo e transformado em um acontecimento plástico. É esse olhar o mesmo, mas trazendo um novo ritmo de investigações estéticas, o foco dessa exposição. Destaca um conjunto de obras de nove artistas presentes na trama cultural contemporânea, aonde cada um vai elencar problemas e interrogações, cada um vai pontuar as suas diferenças na força da emergência de sua plasticidade artística, mas mantendo a sua alquimia de contrastes e a ocupação da verdade poética e visual de seus pensamentos.

Os reflexos na água sempre fascinaram diferentes artistas, que mantiveram uma complexa parceria com a natureza, dada essa linha de terra, que habita entre o mundo real e sua imagem refletida, entre o transitório e o permanente desses pequenos mundos nascentes. A natureza é uma matéria sempre perceptível de interpretação e de reflexão, que estimula a capacidade inventiva e o jogo do imaginário, que converge para a disponibilidade plástica do mundo. Esse deslizar de imagens em sequências diversas, através de coordenadas de movimento e luz, revela a passagem efêmera do tempo, a nossa natureza volátil, vibrante, intensa, suave ou agonizante. A presença da água tece um diálogo visual, se alterna como um tecido pictórico, que se move em múltiplas direções, ora se insinuando, ora ocupando todo espaço, gerando uma disponibilidade plástica como se fosse uma fricção cromática da natureza. Essa temática lida com uma nova gramática de formas, uma mobilidade pura cujo sistema de turbulência possui um grau de movimento oscilantemente rápido, muitas vezes, com intensa vibração e tessituras nervosas. A água, através de rotas simbólicas, vai ganhando corpo e se consolida em outro território: repousa nas telas ou nas fotografias ou nas esculturas, adquire uma presença física e uma representação visual.

Esses artistas organizam o espaço com suas anotações fragmentárias em torno da simbiose entre a arte e a natureza, por vezes, nas tentativas de transformá-las em espaço de contemplação ou numa espécie de desacordo. O olhar oscila entre o caráter emblemático dos signos utilizados, do ruído que cerca toda a representação e mantém um diálogo intenso com diferentes técnicas e materiais. São diferentes escutas, instigantes nas suas qualidades poéticas, beneficiadas pelo caráter aberto de seus diversos procedimentos artísticos.

VANDA KLABIN

Poetic Maneuvers is a dialogue between nature and the foundation of one of the main mechanisms of perception: the theme of aquatic illusion, its reflections, luminosities, colorations, rhythmic restlessness, and its veiled, moist, unconfigured ambiguities, which are on the border between painting, photography and sculpture. Water, that unstable substance that nature provides, enters as a guiding axis for the composition and is appropriated by the artist’s eye as an active ingredient and transformed into an artistic event. The focus of this exhibition is this vision that offers a new flow of aesthetic investigations. It focuses on a collection of works of nine artists from the contemporary cultural scene. Each will enumerate problems and questions, each will emphasize their differences in the strength of the emergence of their artistic plasticity, but maintaining their alchemy of contrasts and pursuit of the poetic and visual truth of their thoughts.

Reflections in water have always fascinated various artists who maintained a complex partnership with nature, given this earth line that arbitrates between the real world and its reflected image, between the transient and the permanent of these small emerging worlds. Nature is a topic that is always perceived from interpretation and reflection, which stimulates inventiveness and the play of imagination, which converges for the availability of the artistic world. This sliding of images in various sequences through coordinates of movement and light, reveals the ephemeral passage of time, our volatile, vibrant, intense, gentle, or anxious nature. The presence of water weaves a visual dialogue, and alternates as a pictorial fabric that moves in multiple directions, sometimes insinuating, sometimes occupying all space, creating an artistic availability as if it were a chromatic friction of nature. This theme deals with a new grammar of forms, a pure mobility whose system of turbulence possesses a degree of oscillating rapid movement, often with intense vibration and edgy contextures. Water, through symbolic routes, gains body and is consolidated in another territory: it rests on canvases or in photographs or sculptures, and acquires a physical presence and visual representation.

These artists, from different artistic platforms, organize the space with their fragmentary jottings about the  symbiosis between art and nature, sometimes in an attempt to turn them into a contemplative space or a kind of divergence. The view oscillates between the iconic character of the symbols used, the noise surrounding the whole representation and which holds an intense dialogue with different techniques and materials. They are different hearkenings, thought-provoking in their poetic and visual qualities, benefited by the open character of their various artistic procedures.

VANDA KLABIN