ExposiçõesExhibitions . 2013 . Joana Cesar . VoragemJoana Cesar . Vortex

PROJETO OCUPA-SE
O projeto Ocupa-se consiste na produção de uma exposição conceitual, onde o espaço da galeria é cedido ao artista para ser utilizado livremente como espaço de expressão do seu trabalho. O nome “Ocupa-se” é uma referência aos cartazes que convidam, quem lê, a comprar, alugar, vender algo necessário, desejado e que carrega a potência de deslocamento, movimento e ocupação imediata.

O Ocupa-se abre espaço dentro do calendário da galeria, oferecendo ao público uma parcela intangível, intrínseca da produção de determinado artista e proporcionando a este artista um espaço mais livre para expressão conceitual de sua pesquisa artísticas que possam gerar percepções e sentidos quando expressas fora de sua representação plástica regular e pensadas para um espaço específico.

VORAGEM
Joana Cesar nos interroga com uma outra modalidade de atuação do seu processo artístico. Articula uma espécie de momentos de desconstrução composta de fragmentos de sua vida, transformados em matéria, como se fossem um capítulo, episódios à parte. A memória tornou-se um forte e complexo elemento de concepção desse imaginário artístico, que se inscreve como um fio condutor poético, por vezes, visível e palpável. Ao criar uma metáfora de si própria, uma ritualização da memória e da sua vivência como gestora de sua vida, parece querer conciliar os patamares do individual e do gregário. Há um insistente desconforto nesse processo de restauração desses fragmentos de memória, como estivesse prisioneira de lembranças e quisesse se ver livre desses trechos do passado, que são reconstruídos plasticamente.

Orienta-se por um jogo combinatório, pela integração entre o exterior e o interior, o vazio e o cheio, o dentro e o fora, a transparência e a opacidade, exercidos em torno de receptáculos construídos na galeria; uma imersão na memória organizada, quase liturgicamente, como áreas de recolhimento e interiorização. É um espaço de memória, que guarda no seu interior a intimidade da artista, o seu abrir-se e guardar-se em si mesma, quase uma tentativa de se devorar, se perpetuar através dessa dilatação das suas questões subjetivas, deixando seus fragmentos dissolvidos e indistintos.

O seu ser psicológico organizado em urnas, onde tudo aparentemente “se fecha”, cria um território ambíguo entre o querer se manifestar e o querer se ocultar, uma espécie de campo de ressonância emocional, de ativação da psique, de mergulhos no seu inconsciente com várias camadas de significados, de linguagens e metáforas visuais.

São intersecções entre a sua vida e o seu fazer artístico, onde gravitam diversos elementos como dobradiças enferrujadas, fotografias corroídas por cupim, cartas de um baralho cigano, terra, cacos de trabalhos destruídos. Um mergulho em um acúmulo de acontecimentos, numa sucessão de metamorfoses para compor um perfil do seu passado, quase como se tentasse unir o passado com o presente. Memórias afetivas ou não são aqui sacrificadas. São indeterminações mútuas, que se entrelaçam a uma multiplicidade de experiências, uma espécie de confronto permanente com as suas pulsões de vida, morte, medo, culpa e que afirmam a sua existência em uma conversão quase religiosa. Há uma interpenetração entre arte e vida. Enfim, um repositório de vivências únicas, reflexivas e intimista nesse cenário construído e efêmero, um espaço de recolhimento e de reflexão.

Joana Cesar constrói um inventário humano, um mosaico de fragmentos, como se quisesse entender o real, devassando a sua própria intimidade. A sua imersão na memória organizada, quase como uma celebração, insinua etapas de sua existência, opacidades interiores, supostamente invisíveis, retirando-as do esquecimento e colocando-as como oferenda, como um ato religioso. Como afirmou Gaston Bachelard, “o homem é o ser entreaberto”.

VANDA KLABIN

PROJETO OCUPA-SE
O projeto Ocupa-se consiste na produção de uma exposição conceitual, onde o espaço da galeria é cedido ao artista para ser utilizado livremente como espaço de expressão do seu trabalho. O nome “Ocupa-se” é uma referência aos cartazes que convidam, quem lê, a comprar, alugar, vender algo necessário, desejado e que carrega a potência de deslocamento, movimento e ocupação imediata.

O Ocupa-se abre espaço dentro do calendário da galeria, oferecendo ao público uma parcela intangível, intrínseca da produção de determinado artista e proporcionando a este artista um espaço mais livre para expressão conceitual de sua pesquisa artísticas que possam gerar percepções e sentidos quando expressas fora de sua representação plástica regular e pensadas para um espaço específico.

VORAGEM
Joana Cesar nos interroga com uma outra modalidade de atuação do seu processo artístico. Articula uma espécie de momentos de desconstrução composta de fragmentos de sua vida, transformados em matéria, como se fossem um capítulo, episódios à parte. A memória tornou-se um forte e complexo elemento de concepção desse imaginário artístico, que se inscreve como um fio condutor poético, por vezes, visível e palpável. Ao criar uma metáfora de si própria, uma ritualização da memória e da sua vivência como gestora de sua vida, parece querer conciliar os patamares do individual e do gregário. Há um insistente desconforto nesse processo de restauração desses fragmentos de memória, como estivesse prisioneira de lembranças e quisesse se ver livre desses trechos do passado, que são reconstruídos plasticamente.

Orienta-se por um jogo combinatório, pela integração entre o exterior e o interior, o vazio e o cheio, o dentro e o fora, a transparência e a opacidade, exercidos em torno de receptáculos construídos na galeria; uma imersão na memória organizada, quase liturgicamente, como áreas de recolhimento e interiorização. É um espaço de memória, que guarda no seu interior a intimidade da artista, o seu abrir-se e guardar-se em si mesma, quase uma tentativa de se devorar, se perpetuar através dessa dilatação das suas questões subjetivas, deixando seus fragmentos dissolvidos e indistintos.

O seu ser psicológico organizado em urnas, onde tudo aparentemente “se fecha”, cria um território ambíguo entre o querer se manifestar e o querer se ocultar, uma espécie de campo de ressonância emocional, de ativação da psique, de mergulhos no seu inconsciente com várias camadas de significados, de linguagens e metáforas visuais.

São intersecções entre a sua vida e o seu fazer artístico, onde gravitam diversos elementos como dobradiças enferrujadas, fotografias corroídas por cupim, cartas de um baralho cigano, terra, cacos de trabalhos destruídos. Um mergulho em um acúmulo de acontecimentos, numa sucessão de metamorfoses para compor um perfil do seu passado, quase como se tentasse unir o passado com o presente. Memórias afetivas ou não são aqui sacrificadas. São indeterminações mútuas, que se entrelaçam a uma multiplicidade de experiências, uma espécie de confronto permanente com as suas pulsões de vida, morte, medo, culpa e que afirmam a sua existência em uma conversão quase religiosa. Há uma interpenetração entre arte e vida. Enfim, um repositório de vivências únicas, reflexivas e intimista nesse cenário construído e efêmero, um espaço de recolhimento e de reflexão.

Joana Cesar constrói um inventário humano, um mosaico de fragmentos, como se quisesse entender o real, devassando a sua própria intimidade. A sua imersão na memória organizada, quase como uma celebração, insinua etapas de sua existência, opacidades interiores, supostamente invisíveis, retirando-as do esquecimento e colocando-as como oferenda, como um ato religioso. Como afirmou Gaston Bachelard, “o homem é o ser entreaberto”.

VANDA KLABIN