ExposiçõesExhibitions . 2016 . ESFORÇO-DESEMPENHOEffort-Performance

O termo “Esforço-desempenho” se refere a um conceito cunhado por teorias da motivação que tentam explicar determinantes de comportamentos para gerar modelos de incentivo. Apoia-se, portanto, na premissa de que o indivíduo fundamenta suas ações orientado pela antecipação de eventos futuros. Em síntese: associa um resultado ao seu esforço. Articular esse tipo de formulação – aplicada principalmente à governança corporativa – no contexto de uma exposição de arte, questiona o que deve continuar nos servindo de impulso para realizar, e a eficácia do fazer; assim como joga luz sobre as discussões em torno da possibilidade de uma produção com fim em si mesma. Aqui, também é tomada para ventilar maneiras de se pensar o conturbado estado de ânimo coletivo através de proposições/gestos/disposições estéticas. 

Numa virada de ano marcada pelo acúmulo arrastado de complexas tensões sociais, esta mostra reúne trabalhos que juntos sugerem, se não a anulação, um rebaixamento de expectativa. Traça, desse modo, uma espécie de contraponto à euforia comum aos discursos pautados pelas promessas de crescimento econômico, grandes construções e megaeventos.

Conduzida pela ideia de um tempo ausente de elevadas aspirações como condição para concebermos ações à altura dos desafios do calendário, aponta operações de fissura no consenso costurado pelo imaginário social do “país do futuro”. Propõe então outro ritmo: não o apressado esperançoso que regeu a toda força as vozes públicas oficiais na última década, que mesmo diante de um cenário de esgotamento, insistem em depositar no porvir a conjuntura capaz de promover transformações desejáveis. Nesse sentido, a exposição circunscreve um exercício de não aderência, preocupado sobretudo com as latências do presente. 

Abre-se espaço para que diferentes proposições indiquem, cada uma ao seu modo, certo distanciamento do signo do espetacular e de narrativas voltadas ao apelo de massa e ao significado global. São manifestações que se dão de lugares próprios, colocando em perspectiva nossas medidas de importância e ao que conferimos atenção. Entre movimentos de repetição e dispersão; declarações íntimas e vistas nubladas; desgastes e marcas de uso; consternação e letargia, constitui-se um conjunto heterogêneo cujos sentidos são ora assertivos, ora indiretos, mas que podem igualmente nos fazer experienciar novas formas de nos afetar.

GERMANO DUSHÁ

The expression “Effort-performance” refers to a concept coined by the theories of motivation with the aim of explaining the triggering elements of behavior in order to produce incentive models. Therefore, it is grounded on the assumption that an individual’s action is hinged on his expectancy of future events. In sum: an outcome is associated with an effort. Resorting to such construct — primarily applied to corporate governance — in a crossover approach within the context of art exhibition challenges what should remain as a drive for artistic creation, as well as the effectiveness of performance; and transforms the possibility of creating with an end in itself in a moot point. Furthermore, this expedient here also ventilates the discussion on the ways to think about the troubled state of the collective spirit through new aesthetic propositions/gestures/dispositions.  

Following a turn-of-the-year which dragged such heavy and intricate social tensions along, this show gathers works that, as a whole, point to lowered expectations, if any. This way, it somewhat defies the widespread dreamland depicted in speeches about economic growth, great constructions and humongous events. 

Drawn by the idea of a time bereft of high expectations as the prerequisite to conceive efforts abreast of the present challenges, it endeavors to break a consensus shaped by the social belief of “country of the future.” It then comes up with other pace: not the hectic and hopeful one that inspirited the prowess of public decision-makers’ remarks over the last decade, who, even if witnessing collapse, insisted on foretelling a future juncture capable of leading to desirable transformations. In this vein, the exhibition proposes not to fall in line, but else to pursue this time’s current latencies.  

It creates opportunity for different propositions to indicate, each in their own way, a certain detachment from the sign of spectacularism and narratives bound by an appeal for the masses and the global signification. It encompasses manifestations that are framed in their own locales, putting in perspective our assumptions of significance and our foci of attention. In-between movements of recurrence and scattering; personal accounts and blurred vision; wear and tear; overwhelming and numbness, a heterogeneous whole is built where senses are either assertive or elusive, but likewise prone to prompting experiences of new forms of influence on onlookers.

GERMANO DUSHÁ