ExposiçõesExhibitions . 2012 . André Andrade . Porque não me contou sobre você?André Andrade . Why didn't you tell me about you?

A estrutura pictórica presente nas telas de André Andrade se apóia na na imprecisão da imagem real, na indefinição do instante, na fragmentação repentina. Aonde a imagem se interrompe, a pintura se inicia. Ele vai se apropriar de imagens que, por sua natureza, são efêmeras e transitórias, dos lapsos que criam desconexões, uma estabilidade fragmentária que cria uma interface com o seu fazer artístico.

Engenheiro de formação, André inicia seu trabalho nas artes plásticas em 2003 e reside na Noruega, onde trabalha na USF VERTET, instituição multidisciplinar que reúne artistas das mais diferentes nacionalidades. Retorna ao Brasil, participa de vários grupos de estudos e de exposições coletivas. Nessa sua primeira individual na Galeria Athena Contemporânea, apresenta onze trabalhos de pintura automotiva  sobre chapas de alumínio.

A produção de pintura, de forma geral, tem seu início na tela em branco ou se sucede através do planejamento de desenhos prévios, que irão dar origem à pintura, a posteriori. O desenho se converte em algo instrumental para a realização final da tela. No processo de trabalho de André, ele vai usar como ferramenta a deteriorização de uma imagem pronta que apresenta interferências de bugs eletrônicos, de uma falha do sistema operacional de um programa transmitido pela tv a cabo. A imagem utilizada no lapso de transmissão, uma falha real, um acontecimento ocasional, acidental, é a origem do seu trabalho. O momento da interferência é capturado por uma câmara digital já posicionada para a captura congelada ou em sequência de frames corrompidos, já quase irreconhecíveis.

O sentido de sua obra emerge da reunião desses fragmentos e obstruções, desse staccato, desse tempo de paradas que arremessa a imagem em cadências irregulares, em ritmos diferenciados criando uma espécie de ruído ótico.  

A tela é concebida como a imagem da imagem, não como matéria de representação. A interferência  na transmissão instantânea das imagens criam um meandro de quadrados e retângulos cifrados na opacidade da superfície da tela, em áreas de cor em relação de encaixe com as formas adjacentes. Os elementos com positivos parecem friccionados uns contra os outros, na tentativa de uma simultaneidade de soluções, criando áreas de persistência que pertencem às próprias imagens em dispersão e uma malha densa e animada de frames até chegar à abstração. Insinuam ausências, uma sensação de perda, de algo negado, uma curiosa falta de recompensa. O plano da tela acomoda uma série de imagens de imagens familiares, de programas e seriados quase irreconhecíveis, quase indistintas e corrompidas a partir do lapso da imagem inicial.

Há algo ali que se reconhece, mas que não podemos ver, são estranhos territórios de uma pintura em erosão, que pertencem à própria imagem em dispersão. O seu trabalho conserva essa ambiguidade da indeterminação do tempo cuja fluência é inesperada. São pequenas narrativas condensadas e deslocadas por um tempo que as separa efetivamente da sua emissão verdadeira. Tempo do devir, tempo da mudança.

Nesses resíduos e detritos da comunicação, nesse enervamento intenso, destoante, discordante, cifrado é que sua arte vai transitar. E encontra a sua correspondência no mundo real, um quebra-cabeça de dezenas de unidades em infinitas mutações, diálogos interrompidos pela falha na imagem eletrônica com descontinuidades plásticas, que nos remete a um sistema de comunicação do mundo contemporâneo, a algo que não se completa, a algo que não consegue se concluir. Nas suas pausas, essas telas interrogam a respeito do sentido das coisas e a ausência delas.

VANDA KLABIN

A estrutura pictórica presente nas telas de André Andrade se apóia na na imprecisão da imagem real, na indefinição do instante, na fragmentação repentina. Aonde a imagem se interrompe, a pintura se inicia. Ele vai se apropriar de imagens que, por sua natureza, são efêmeras e transitórias, dos lapsos que criam desconexões, uma estabilidade fragmentária que cria uma interface com o seu fazer artístico.

Engenheiro de formação, André inicia seu trabalho nas artes plásticas em 2003 e reside na Noruega, onde trabalha na USF VERTET, instituição multidisciplinar que reúne artistas das mais diferentes nacionalidades. Retorna ao Brasil, participa de vários grupos de estudos e de exposições coletivas. Nessa sua primeira individual na Galeria Athena Contemporânea, apresenta onze trabalhos de pintura automotiva  sobre chapas de alumínio.

A produção de pintura, de forma geral, tem seu início na tela em branco ou se sucede através do planejamento de desenhos prévios, que irão dar origem à pintura, a posteriori. O desenho se converte em algo instrumental para a realização final da tela. No processo de trabalho de André, ele vai usar como ferramenta a deteriorização de uma imagem pronta que apresenta interferências de bugs eletrônicos, de uma falha do sistema operacional de um programa transmitido pela tv a cabo. A imagem utilizada no lapso de transmissão, uma falha real, um acontecimento ocasional, acidental, é a origem do seu trabalho. O momento da interferência é capturado por uma câmara digital já posicionada para a captura congelada ou em sequência de frames corrompidos, já quase irreconhecíveis.

O sentido de sua obra emerge da reunião desses fragmentos e obstruções, desse staccato, desse tempo de paradas que arremessa a imagem em cadências irregulares, em ritmos diferenciados criando uma espécie de ruído ótico.  

A tela é concebida como a imagem da imagem, não como matéria de representação. A interferência  na transmissão instantânea das imagens criam um meandro de quadrados e retângulos cifrados na opacidade da superfície da tela, em áreas de cor em relação de encaixe com as formas adjacentes. Os elementos com positivos parecem friccionados uns contra os outros, na tentativa de uma simultaneidade de soluções, criando áreas de persistência que pertencem às próprias imagens em dispersão e uma malha densa e animada de frames até chegar à abstração. Insinuam ausências, uma sensação de perda, de algo negado, uma curiosa falta de recompensa. O plano da tela acomoda uma série de imagens de imagens familiares, de programas e seriados quase irreconhecíveis, quase indistintas e corrompidas a partir do lapso da imagem inicial.

Há algo ali que se reconhece, mas que não podemos ver, são estranhos territórios de uma pintura em erosão, que pertencem à própria imagem em dispersão. O seu trabalho conserva essa ambiguidade da indeterminação do tempo cuja fluência é inesperada. São pequenas narrativas condensadas e deslocadas por um tempo que as separa efetivamente da sua emissão verdadeira. Tempo do devir, tempo da mudança.

Nesses resíduos e detritos da comunicação, nesse enervamento intenso, destoante, discordante, cifrado é que sua arte vai transitar. E encontra a sua correspondência no mundo real, um quebra-cabeça de dezenas de unidades em infinitas mutações, diálogos interrompidos pela falha na imagem eletrônica com descontinuidades plásticas, que nos remete a um sistema de comunicação do mundo contemporâneo, a algo que não se completa, a algo que não consegue se concluir. Nas suas pausas, essas telas interrogam a respeito do sentido das coisas e a ausência delas.

VANDA KLABIN